“CARRASCO DA LEI SECA”, STYVENSON ESTÁ DE VOLTA: “NUNCA VAI ACABAR A CRIMINALIDADE”

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O ‘Carrasco da Lei Seca’ está de volta. Não mais para pegar no pé dos transgressores das leis de trânsito, principalmente a turma que gosta de beber e dirigir, mas para assumir uma nova missão. Styvenson Valentim agora comanda a 1ª Companhia do 9º Batalhão da PM, responsável pelo patrulhamento da Zona Oeste de Natal.

Apesar do perfil operacional, Styvenson foi afastado das fiscalizações que realizava em conjunto com o Detran após se envolver em declarações polêmicas ao falar da atuação da Polícia Civil no estado. Como castigo, amargou meses realizando funções administrativas dentro da corporação. Página virada. Vida que segue. Agora, com nova atribuição, ele fala sobre a violência que avança sobre o estado, lembra da carreira e dispara: “nunca vai acabar a criminalidade”.
O capitão reitera: “quando eu digo que a criminalidade não vai acabar, eu quero dizer que é preciso atacar a origem do problema, a nascente. Há muitas crianças sem ocupação, sem lazer, sem esporte, sem ter o que fazer. E o pior: com a conivência dos pais. Muitos pais não têm a mínima condição de ser referência para nada. É isso o que eu quero dizer quando digo que a criminalidade não vai acabar”.
A carreira
Trabalhar na Zona Oeste de Natal é voltar às origens. O 9º BPM foi a primeira unidade que Styvenson trabalhou logo que deixou a academia da Polícia Militar. Formado oficial em 2005, ele recorda que a região, considerada pela polícia como uma das áreas de maior risco da cidade, já era cheia de traficantes: “A gente foi pegando um por um”.
Após três anos e meio, Styvenson foi remanejado para o 5° BPM, já na Zona Sul da capital. Lá, com a mente mudada por atuar com perfis diferentes de criminosos, ele disse que chegou a usar da violência em abordagens, fato que lhe causou bastante problemas, como a desconfiança da população. Assim, com o tempo, percebeu que essas ações não mudavam nada. “E por que não mudou? Porque a vida deles, dos criminosos, não mudava. E por que eles não queriam mudar? Porque eles não tinham esperança de mudar”, avalia.

O respeito é essencial para a atuação, considera Styvenson. “Não ofereceu resistência, não tem nada com você. Pode ser o pior bandido da terra, mas eu vou fazer o que? Vou agradecer pela contribuição e pela segurança pública do estado”, afirma. Styvenson diz que “humilhar quem já é humilhado, abre espaços para uma revolta, como em Alcaçuz”. E acrescenta: “O que esperar de alguém que não tem dignidade? De quem não tem o mínimo?”.
Em 2013, Styvenson voltou ao 9° BPM. Apesar da mesma área de atuação, mesmo bairro, ruas, e infraestrutura física, diz que seu desafio na época era combater criminosos mais novos e mais perigosos. “Os bandidos conhecem o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) melhor do que a gente. Eles têm o conhecimento do que a gente pode e o que não pode”. O capitão acredita que isso acontece porque muitas das crianças da área moram na rua e têm como “referência” os traficantes.
Lei Seca
Após os primeiros anos de experiência, foi remanejado novamente – dessa vez para atuar na Lei Seca. Foi quando Styvenson acabou lotado no Detran. Sobre os três anos que passou como coordenador da Lei Seca, o oficial considera que realizou um bom trabalho. “Não sei fazer coisa mal feita”, afirma. “A população quer alguém que haja, não que fique fazendo discurso”, emenda.
Para os novos desafios, o oficial elogia a força tática do 9° BPM e considera que tem uma boa equipe em mãos. “Eles têm a consciência de que precisam fazer um trabalho físico e tático, que têm de manter a postura”. Em relação aos meios, o capitão diz que sempre foram precários, porém afirma que isso não é motivo de parar, e sim de colocar em prática a inteligência e superar essa escassez.
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