RUPTURA: O ARTIGO DO JORNALISTA JUNIOR GURGEL

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Por mais otimista que sejamos, com os abismos (fossos) existentes e crescentes entre os Poderes, inexistem alternativas para salvar nossa democracia – com apenas vinte e nove anos (Constituição de 1988) – sem que ocorra um processo de “ruptura”. Antecipação das eleições? Talvez o menos traumático. Do contrário, intervenção militar para reestabelecer a ordem.  Se a solução for eleitoral, a legitimidade das urnas propiciará a renovação, reconstruindo uma conjuntura harmônica entre os três poderes de nossa República, no momento “desalinhado”. O país não se sustentará até 2018 diante de uma exposição midiática permanente, mostrando corrupção desenfreada, denunciada pelo Ministério Pública Federal e precipitadamente “aloprada” via sensacionalismo desconstrutivo. Medo e incertezas ampliam o quadro da “depressão econômica” instalada no Brasil, causando pânico generalizado na desorientada população (passageiros e tripulação do Titanic Brasil) despida da fé e esperança em salvação do inevitável naufrágio. Poderes Constituídos digladiam-se entre si, de modo desrespeitoso, criando quadro de incerteza. No “grito”? Todos mandam e ninguém tem razão (ou direitos).

Os absurdos entrechocam-se a ordem, quando ninguém sabe mais quem é quem. Ultrapassando todos os limites do inimaginável, uma Tabeliã da Polícia Federal teve a ousadia, arrogância ou despreparo, de ligar para o Palácio do Planalto (25.05.2017) e cobrar da Assessoria do Presidente da República, que “agendasse” dia, para depor num inquérito instaurado – fundamentado numa delação premiada estilo diferenciado de “salvo conduto” – usufruído pelo bandido Joesley Batista (hoje nos Estados Unidos) com anuência do Procurador Geral da República e do Ministro Edson Fachin, relator da lava-jato (?). Qual a ligação da JBS com a Petrobras? Gritante foi à “frouxidão” expressada pelo Presidente Michel Temer, historicamente neste momento se assemelhando a João Goulart em seus últimos dias (1964). Jango por timidez não se impôs frente à maioria dos Generais, que respeitavam a Constituição. Presidente Michel Temer temeu demitir a bem da ordem e da disciplina, o Diretor Geral da PF, e substituir todos os Superintendes Estaduais, que pelo visto, perdeu a noção de hierarquia funcional “fulanizando” a maior autoridade de um regime democrático Presidencialista que é a figura de Sua Excelência Senhor Presidente da República. Aliás, o ato deveria ter sido considerado como “rotineiro” e da autoria do Ministro da Justiça. Para fechar o círculo temerário de ingovernabilidade, seguiu-se a ridícula atitude do Palácio do Planalto, consultar – ou se queixar – do Ministro Relator da lava-jato, que não se sabe o motivo de sua atuação na investigação da JBS, sobre o desacato da Tabeliã. Será que o Poder está “loteado”?
Gravações e vídeos são vazados constantemente, sem que se saiba quem são os verdadeiros responsáveis, de onde partiu as autorizações; seus objetivos e autores destas violações ilegais. A Polícia Federal, ou o Procurador Geral da República, num ato de revanchismo divulgou uma conversa gravada sem autorização judicial, entre o Jornalista Reinaldo Azevedo (Revista Veja) com sua fonte irmã do Senador Aécio Neves. O diálogo não se referia a nenhum dos processos investigados pela lava-jato, Polícia Federal ou Procuradoria Geral da República. É um novo Reality Show, estilo Big Brother, produzido pela PGR e PF sobre a vida e intimidade dos políticos? No intuito de atingir a imagem do Ministro do STF Gilmar Mendes – destacado por suas firmes posições e destemor da Procuradoria Geral da República – um recado intimidatório lhes foi passado – via vazamento de um áudio, contendo diálogo com o Senador Aécio Neves. Igualmente gravado clandestinamente pela Polícia Federal – não contentada com tantos estragos, provocados por seus “grampos”- o Presidente Michel Temer foi vítima de ais um áudio, revelando conteúdo de uma conversa com Deputado Federal afastado, aquele condutor da mala onde continha a “pegadinha” dos 500 mil reais.
Nada acontece sem a participação do Congresso Nacional. Não adianta “escolherem” candidatos, ou “saídas negociadas”, como sugeriu o Senador Tasso Jereissati, imaginando que substituir o Presidente Temer significa o fim da crise. Em seu lugar o Parlamento não admite alguém que não fale a “linguagem” das duas Casas Legislativas, ora exigindo claramente garantias de seus retornos em 2018. Qual seria o nome ideal? Depois de Joesley acusar que 1.198 políticos que receberam dinheiro da JBS, quem escapou? No Senado Federal, muitos estão ainda no mensalão, CPI dos bingos e Correios. Carlinhos Cachoeira; Fernando Cavendish; Operação Navalha Gautama… São dezenas de casos constatando “promiscuidade” entre políticos, empresários e negócios, desde 2004. Tantas CPI que o povo não lembra mais. Pouquíssimos ficaram fora da lava-jato, depois da delação de Marcelo Odebrecht. Com isenção e perfil desejando pelo povo, no Senado resta apenas Álvaro Dias, Reguffe e Cristovam Buarque. Infelizmente nenhum domina o “dialeto” usado para se comunicarem com seus pares do Parlamento.
Finalmente, qual o suposto “coringa” sob a manga, que tem e esconde a Policia Federal, juntamente com a Procuradoria Geral da República? A impressão que passam é que o STF está acuado. Exceto do Ministro Gilmar Mendes, que não poupa críticas aos ritos processuais das investigações do momento. Porventura foram também todos “grampeados” e gravados clandestinamente?
Usando o “elemento surpresa”, o governo contra-atacou ontem. Nomeou para o Ministério da Justiça o respeitável Ministro Torquato Jardim. Dificilmente encontrarão suas “pegadas” nos caminhos das operações em curso comandadas pela Procuradoria Geral da República e Polícia Federal. Tabeliã não vai ter mais autonomia de intimar aleatoriamente quem bem quiser. Delegado Geral terá um chefe, para se reportar sobre seus atos, isto se continuar no cargo que é de confiança e não de carreira. Procuradoria Geral da República terá que dialogar sobre suas futuras ações. E STJ, STF, TSE encontrarão um dos seus semelhantes, competente e comprometido com a seriedade em dá andamento as ações de combate à corrupção, porém sem vazamentos seletivos, bravatas, ou heroísmos “tupiniquins”, precários e de credibilidade duvidosa.
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