“PSDB não é Madame Bovary para trair Temer”, diz ministro Aloysio Nunes

O tucano Aloysio Nunes Ferreira, ministro das Relações Exteriores, voltou a defender, em entrevista na manhã desta sexta-feira 3 na embaixada brasileira em Washington, o apoio do PSDB ao governo de Michel Temer. Ele afirmou que seu partido é “membro” do governo e usou a literatura para afirmar que não acredita que a legenda vá trair Temer.

“O PSDB tem compromissos com o governo e com o programa de governo. E o PSDB não é madame Bovary”, afirmou o ministro, se referindo ao personagem principal do romance de Gustave Flaubert, que traiu o marido e teve um fim trágico. “Apoio o presidente Temer e creio que o PSDB não vai sair do governo”.
Aloysio preferiu não responder se continuará no governo caso o PSDB decida sair da base de sustentação do presidente, mas indicou que confia que Temer vá ser absolvido no julgamento da chapa Dilma-Temer, previsto para começar na próxima terça-feira.
“Estou otimista quanto ao resultado do julgamento pela minha própria experiência. Fui candidato a vice-presidente em 2014 e minha prestação de contas foi distinta da prestação de contas do Aécio (Neves)”, disse Aloysio, defendendo a separação das responsabilidades na chapa presidencial, fundamental para que o TSE condene Dilma Rousseff e absolva Temer, teoria defendida pelos defensores do presidente, embora não seja a prática mais comum no tribunal.
O ministro voltou a afirmar que acredita que as reformas propostas pelo governo serão aprovadas no Congresso. Em sua opinião, os problemas que ocorreram na tramitação da reforma trabalhista e da Previdência são normais pela dificuldade dos temas.
Questionado sobre a situação de seu antigo colega de chapa, Aécio Neves, — afastado da função de senador pelo Supremo Tribunal Federal após as denúncias do recebimento de suborno — ele defendeu o tucano mineiro e afirmou que está “triste” com esta situação.
“Vejo (a situação do Aécio) com muita tristeza. Ele está se defendo. Na minha visão a prisão da irmã dele não se justifica do ponto de vista do processo penal e espero que ele consiga enfrentar bem e ter bom resultado”, disse o ministro, emendando: “Claro que é defensável. Mas é uma coisa que vai ser decidida pelos tribunais. Ele tem a minha solidariedade pessoal, é meu amigo e companheiro”.
O ministro se reuniu com seu colega americano, Rex Tillerson, onde foram debatidos dez pontos que podem avançar na relação bilateral: comércio, investimento, aviação, parcerias espaciais, energia, agricultura, saúde, economia digital, defesa e segurança.
Os dois países definiram que haverá uma nova reunião em três meses para ver como estes pontos avançados. Temas polêmicos como a bitributação entre os dois países ficaram fora deste primeiro momento, por se tratar de algo mais polêmico.
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