BLOG RADAR HOJE ENTREVISTOU DEPUTADO ESTADUAL FERNANDO MINEIRO

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Deputado como o senhor avalia a gestão do presidente Temer e do governador Robinson?

A gestão do usurpador Michel Temer, que só tem aprovação de 5% da população do Brasil, segundo as pesquisas mais recentes, tem sido marcada pelo ataque sistemático aos direitos da classe trabalhadora, conquistados com muita luta ao longo das últimas décadas. Temer chegou ao poder através de um golpe parlamentar, patrocinado pelo empresariado paulista e com amplo apoio midiático, para impor uma agenda de reformas prejudicial aos/às trabalhadores/as. O resultado desse processo está aí: aprofundamento da crise econômica, aumento do desemprego e agravamento da questão ética. A única saída possível para recolar o país no rumo correto é com a saída desse governo ilegítimo e a realização de eleições diretas já.

Quanto à gestão estadual, o governador não tem conseguido responder às demandas da população em relação à melhoria dos serviços públicos, principalmente nas áreas da saúde, da segurança pública e do funcionalismo público. A crise nos hospitais regionais, o crescimento assustador da violência e o atraso no pagamento dos servidores são os sinais mais evidentes do fracasso da administração de Robinson Faria. Além disso, o governo enviou à Assembleia Legislativa o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2018 que prevê o congelamento dos gastos gerais e dos salários dos servidores do Estado. Na prática, isso significa que, no próximo ano, teremos ainda menos investimentos, por exemplo, em saúde, educação e segurança. O que está crítico agora, vai piorar ainda mais em 2018.

Recentemente o Governo do Estado e o MP assinaram um TAC sugerindo mudanças nos Hospitais Regionais. O que o senhor diz sobre essa medida?

Em 2013, realizei uma audiência pública na Assembleia Legislativa para discutir com a sociedade os resultados do relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre a situação dos Hospitais Regionais. De lá para cá, nada foi feito nas gestões da ex-governador Rosalba Ciarlini nem na do atual governador Robinson Faria. Enviei ofício nesta quarta-feira (2) à Secretaria Estadual de Saúde Pública (SESAP) solicitando informações sobre quanto foi aplicado em 2015 e 2016 em todos os 26 Hospitais Regionais, com o objetivo de conhecer o valor investido em cada unidade, nas áreas de pessoal, manutenção e insumos. Isso é essencial para pensar a reestruturação da rede de saúde do RN. O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado com o Ministério Público do Estado (MPE), é importante, mas não foi discutido com quem tem interesse direto na questão, que são os municípios e os Conselhos Municipais de Saúde. O governo precisa dar garantias de que os hospitais não sejam fechados e de que fará um esforço para melhorar o serviço naquelas unidades, porque o que a população precisa é de mais investimentos em hospitais, não de hospitais fechados.

Com essa crise política e econômica enfrentada pelo Brasil e pelo RN, houve um aumento do desemprego e, como reflexo disso, a população começa a ingressar nos programas sociais. Caso estes programas não existissem, como o senhor veria essa questão?

Nos governos Lula e Dilma, nosso país, pela primeira vez em sua história, saiu do mapa mundial da fome, retirou mais de 36 milhões da miséria e gerou mais de 20 milhões de empregos com carteira assinada. Esses resultados foram possíveis devido a um conjunto de ações, que inclui a criação de programas sociais, valorização do salário mínimo e o aumento do acesso ao crédito.

Estamos vivendo há cinco ou seis anos a maior seca das últimas quatro décadas no Rio Grande do Norte, mas graças a programas como Bolsa Família, Compra Direta da Agricultura Familiar e Construção de Cisternas no Semiárido, não vemos mais os saques que haviam no passado.

Esses programas são fundamentais para assegurar dignidade às pessoas em situação de vulnerabilidade social, principalmente em períodos de crise econômica como o que estamos vivendo agora. O problema é que o governo ilegítimo de Michel Temer, ao aprofundar a crise com medidas que penalizam os/as mais pobres, contribui para que voltemos ao passado. O Brasil, sob Temer e seus aliados do PMDB, PSDB e DEM, voltou ao mapa mundial da fome, bate recordes de desemprego e, consequentemente, faz com quem pessoas que haviam sido emancipadas retornem aos programas sociais. Esses retrocessos são a face mais cruel do golpe parlamentar, jurídico e midiático que colocou Temer da Presidência da República.

Como o senhor avalia a saúde, a segurança e a educação do governo Robinson?

Esse questionamento foi respondido na primeira pergunta, mas, para complementar, vale ressaltar que o governador, na campanha de 2014, foi eleito com o compromisso de promover avanços na gestão, principalmente nessas três áreas: saúde, educação e segurança. Na euforia da disputa eleitoral, Robinson, então candidato, chegou a dizer que daria expediente no Hospital Walfredo Gurgel e que seria “o governador da segurança”. 

A realidade, como vemos, é bem diferente da retórica eleitoral. A crise na saúde, na segurança e na educação reflete o descompromisso da gestão com a promoção de mudanças efetivas não só nessas três áreas, mas com o conjunto das políticas públicas de interesse da população do RN. A medida do congelamento dos gastos gerais e dos salários dos servidores, prevista no projeto da LDO de 2018, deixa claro que o governador quer que o povo pague a conta da crise, que é resultado não só da conjuntura econômica nacional, mas também da incapacidade de planejar, inovar e propor novas saídas do Governo do Estado.



O senhor acredita que a senadora Fátima Bezerra possa vir a ser candidata ao Governo do RN? Caso não seja, qual nome o senhor vê no tabuleiro da política?

A senadora Fátima Bezerra, sem nenhuma dúvida, é o melhor quadro que temos para a disputa majoritária de 2018 no RN. Ela vem fazendo um mandato brilhante em defesa dos/as trabalhadores/as ao se posicionar na linha de frente da resistência às reformas nefastas do ilegítimo Michel Temer. Além disso, Fátima conhece bem o RN, sabe das demandas da sociedade e é sensível às necessidades da população. A senadora demonstrou ao longo da sua trajetória política um comprometimento inquestionável com as causas do povo. Foi assim como deputada estadual, depois enquanto deputada federal e, agora, na condição de primeira senadora de origem popular do RN. Estou convicto de que Fátima irá encabeçar um projeto, juntamente com as forças progressistas potiguares, para recuperar o RN.

O senhor acredita que Lula possa vir a ser candidato a presidente, mesmo depois de tantas denúncias contra ele?

Não só acredito, como defendo a candidatura do ex-presidente Lula. Ele é vítima da maior perseguição política que se tem notícia na história recente do Brasil. As acusações contra ele se baseiam em delações sem provas, obtidas num contexto de chantagem, promovida por setores do Ministério Público e da Justiça, novamente com apoio da mídia, a fim de impedir a volta de Lula em 2018. A primeira faze do golpe parlamentar de 2015 foi retirar a presidenta Dilma. A segunda, implantar as reformas impopulares de Michel Temer. A terceira, agora, é cassar Lula. Mas ele vai percorrer o país, começando pelo Nordeste, para conversar com as pessoas, falar sobre o que está acontecendo e relembrar as conquistas dos governos do PT. Mesmo com os ataques midiáticos diários a ele, Lula ainda lidera todas as pesquisas de intenção de voto para 2018. Vamos à luta com Lula, para reconstruir a esperança, resgatar a dignidade do povo e reconquistar nossos direitos.

O que o senhor diz a respeito das reformas trabalhista e previdenciária e sobre o PDV?

As reformas do governo ilegítimo de Michel Temer, como afirmei nas respostas anteriores, são essencialmente prejudiciais à população. O objetivo delas, sem exceção, é retirar direitos da classe trabalhadora para atender aos interesses do mercado financeiro e daqueles setores do empresariado nacional que patrocinaram o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. O Programa de Demissão Voluntária (PDV), além das referidas reformas, é mais um passo nessa direção, com o objetivo de sucatear os serviços públicos do Brasil.


Este ano o senhor já esteve em Caraúbas, onde falou sobre os prejuízos para os trabalhadores e para as cidades da Reforma da Previdência. Como anda suas articulações aqui no município neste sentido?


Estive em Caraúbas falando sobre os impactos Previdência na vida dos/as trabalhadores/as da Reforma da Previdência. O debate aconteceu no auditório da Universidade Federal do Semiárido (Ufersa). Além de Caraúbas, percorri diversos municípios para conversar com as pessoas sobre esse tema, porque os maiores prejudicados pela aprovação dessa reforma serão os/as trabalhadores/as das pequenas e médias cidades, principalmente no Nordeste. Fizemos um estudo, com a equipe técnica do nosso mandato, que mostra o impacto das aposentadorias para a economia dos pequenos municípios do RN. Na maioria deles, os recursos recebidos via pagamento das aposentadorias supera os repasses do FPM. A Reforma da Previdência, além de retirar direitos, vai quebrar a economia dessas cidades.

O senhor vai tentar seu quinto mandato ou pretende disputar outro cargo eletivo que não seja o de deputado estadual?

O meu nome está à disposição do PT. No momento certo, faremos o debate interno sobre que rumos vamos seguir em 2018, mas não será uma decisão individual. Desde que me elegi vereador pela primeira vez, passando pelas candidaturas a deputado estadual, sempre coloquei meu nome como representante de um projeto coletivo de justiça social, enfrentamento às desigualdades e defesa dos direitos da classe trabalhadora do RN e do Brasil. É isso que vai continuar me norteando.

Que mensagem o senhor deixa para os caraubenses e para a população que anda desacreditada dos políticos?


A minha mensagem é: façam política. A criminalização da política não interessa à democracia. Essa estratégia só serve aos interesses de setores que não estão comprometidos com a coletividade. Não existe caminho fora da política. A alternativa à política é o autoritarismo. Agora, evidentemente, é preciso lutar para transformar a política. Ela não pode ser o espaço de reprodução de privilégios. Para isso, precisamos mobilizar a sociedade, principalmente a juventude, em torno da pauta da reforma política. Eu acredito que os/as jovens têm um papel fundamental nesse processo. Para que a velha política seja superada, precisamos mobilizar a força transformadora da juventude. 
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