Bombeiros encontram sete corpos na praia da Urca, no Rio de Janeiro

Fuzis apreendidos pelo Choque em ação no morro da Babilônia.
Sete corpos de supostos traficantes foram encontrados ontem na Urca, bairro de classe média alta do Rio e zona militar. Na última sexta-feira, aregião foi palco de um intenso tiroteio entre bandidos e a Polícia Militar, que paralisou por duas horas a circulação do bondinho do Pão de Açúcar, um dos principais pontos turísticos do País. Até o funcionamento do aeroporto Santos Dumont foi afetado pelo confronto.
Seis corpos estavam em pedras em uma área próxima à praia Vermelha e outro foi localizado na mata que liga a Urca ao bairro vizinho do Leme. Familiares identificaram os corpos como sendo de traficantes que atuavam no morro Chapéu Mangueira, no Leme, e acusam a Polícia Militar de ter matado os traficantes quando eles já tinham se rendido. A polícia informou que investiga se esses corpos são dos bandidos que participaram do tiroteio da semana passada.
O encontro dos corpos e a consequente movimentação da polícia mudou mais uma vez a rotina do outrora tranquilo bairro da Urca. Sede de várias entidades militares, como a Escola Superior de Guerra e um batalhão do Exército, o bairro tem uma única entrada e saída pelo asfalto e é considerado um dos mais seguros do Rio, com raras ocorrências policiais significativas. Mas na sexta-feira os moradores vivenciaram outra realidade. Traficantes que atuam nos morros da Babilônia, também no Leme, e Chapéu Mangueira tentaram fugir da polícia pela mata que liga essas duas comunidades ao morro da Urca.
A polícia tentou cercar os criminosos e houve intensos tiroteios. Os confrontos chegaram a interromper a circulação do bondinho do Pão de Açúcar pela primeira vez por razão de segurança pública desde o início de seu funcionamento, em 1912. Turistas que visitavam o famoso ponto turístico tiveram que aguardar para descer do morro. Apesar dos tiroteios, naquele dia não houve registro de mortes. Um suspeito foi preso e seis fuzis foram localizados e apreendidos. Um policial militar do Batalhão de Choque foi ferido na perna por estilhaços de uma granada lançada pelos criminosos.
Em busca dos desaparecidos no confronto, ontem, familiares dos supostos traficantes izeram uma caminhada de aproximadamente duas horas por trilhas na mata até a Urca, refazendo o trajeto percorrido pelos fugitivos na sexta-feira. Durante essa trajeto, no final da manhã, conseguiram localizar seis corpos em pedras, à beira do mar, numa região de difícil acesso conhecida como Pedra do Anel. O sétimo corpo foi localizado à tarde, na mata.
Os familiares informaram aos bombeiros sobre os corpos e peritos da Polícia Civil foram ao local para examina-los. No final da tarde, eles foram removidos para o Instituto Médico-Legal (IML). Até o momento não houve uma identificação oficial dos corpos, mas alguns pessoas já haviam sido identificadas pelo primeiro nome ou pelos apelidos: Ernani, o Boldinho; Ângelo, apelidado de Foca; Tinaia; Da Coreia; Nathan da Vila Aliança e HB.
O corpo encontrado na mata seria de Franklin Miranda, de 29 anos, que segundo familiares morava no complexo de favelas da Maré, na zona norte, mas estava participando de uma disputa entre facções que ocorre no Leme desde fevereiro e se acirrou nos últimos dias.
Parentes dos mortos encontrados neste domingo acusam a Polícia Militar de ter matado os seis traficantes quando eles já tinham se rendido, na mata do morro da Urca. Depois os PMs teriam abandonado os corpos entre as pedras. Essa versão que aponta execução foi contada aos parentes dos mortos por traficantes que conseguiram fugir da perseguição ocorrida.
Questionada pela reportagem, a Polícia Militar informou apenas que os corpos serão submetidos a perícia para identificar a causa e as circunstâncias das mortes. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios do Rio.
Até fevereiro, os morros da Babilônia e Chapéu Mangueira, embora vizinhos, eram controlados por facções rivais: o Comando Vermelho (CV) dominava o primeiro e o Terceiro Comando Puro (TCP) controlava o segundo. O traficante do TCP Paulo Roberto da Silva Taveira, conhecido como Cara Preta, chefe do tráfico no Chapéu Mangueira, estava preso desde 2009, mas conseguiu autorização judicial para visitar a família em julho de 2017. Ele saiu e nunca mais voltou à prisão. Passou a reunir armas e comparsas para tomar o controle do tráfico no morro da Babilônia, o que ocorreu em fevereiro. Desde então, o Comando Vermelho tenta retomar a favela, o que tem gerado tiroteios frequentes.
Na madrugada da última segunda-feira (4) houve mais uma tentativa de retomada: cerca de 30 criminosos do CV chegaram à Babilônia e iniciaram um confronto com os rivais do TCP. A Polícia Militar interveio às 5h30. Os confrontos continuaram ao longo do dia e dois supostos traficantes morreram baleados. Os criminosos começaram a fugir pela mata, e a polícia iniciou uma busca, que continuou nos dias seguintes e culminou com o tiroteio na Urca, na sexta-feira.

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