Ex-mulher acusou Bolsonaro de furtar cofre e ocultar patrimônio, diz revista

A advogada Ana Cristina Valle, ex-mulher do candidato do PSL ao Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro, acusou o presidenciável de furtar um cofre de um banco, ocultar patrimônio e receber pagamentos não declarados, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira, 28, no site da revista Veja.
A reportagem cita uma ação aberta em 2008 na 1ª Vara de Família do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, logo depois que o casal se separou, na qual constam as acusações de Ana Cristina ao ex-marido.
Bolsonaro, de acordo com Ana Cristina, furtou seu cofre numa agência do Banco do Brasil no centro do Rio, em outubro de 2007, e levou todo o conteúdo, incluindo joias avaliadas em R$ 600 mil, US$ 30 mil em espécie e mais R$ 200 mil também em dinheiro vivo. Segundo a publicação, os valores, hoje, totalizariam R$ 1,6 milhão.
No processo, que tem mais de 500 páginas, a advogada afirma também que Bolsonaro ocultou patrimônio pessoal da Justiça Eleitoral em 2006, quando foi candidato a deputado federal. Na ocasião, ele declarou bens que somavam R$ 433,9 mil. Ana Cristina, no entanto, apresentou outra relação de bens e a declaração do Imposto de Renda do ex-marido que citavam a propriedade de mais três casas, um apartamento, uma sala comercial e cinco lotes. Os bens, em valores de hoje, somariam R$ 7,8 milhões.
Conforme a reportagem, na ação pós-divórcio a ex-mulher do candidato disse que resolveu se separar por causa do “comportamento explosivo” e da “desmedida agressividade” de Bolsonaro.
Ana Cristina relatou ainda no processo, segundo a “Veja”, que o ex-marido recebia “outros proventos” que faziam sua renda mensal alcançar cerca de R$ 100 mil (valores da época), embora recebesse, como deputado, salário de R$ 26,7 mil e, como militar da reserva, mais R$ 8,6 mil. A advogada não detalha a origem de tais “proventos”, mas relata que ele tinha uma “próspera condição financeira”.
O casamento de Bolsonaro e Ana Cristina durou dez anos. A separação foi oficializada em 2008. Na época da ação na 1ª Vara Familiar, os dois disputavam a guarda do filho, hoje com 20 anos
À revista, a advogada negou as acusações do passado. “Quando você está magoado, fala coisas que não deveria”, afirmou. Candidata nas eleições 2018 a deputada federal pelo Podemos do Rio, Ana Cristina usa o sobrenome do presidenciável no material de campanha.
Internado no hospital Albert Einstein, na zona sul de São Paulo, depois de ser esfaqueado durante agenda de campanha em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro não quis se manifestar, de acordo com a revista.
Ameaça de morte
Nesta semana, reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” mostrou que Ana Cristina afirmou a um funcionário da embaixada do Brasil na Noruega ter sido ameaçada de morte por ele. O episódio ocorreu em 2011, segundo confirmou ao jornal O Estado de S. Paulo o então embaixador em Oslo, Carlos Henrique Cardim. O relato foi registrado em um telegrama interno do Itamaraty.
Questionada, a advogada também negou a versão contida no documento do Itamaraty. “Numa separação sempre há tensões, mas jamais falei aquilo, nem meu (atual) marido falou. Não faço ideia de como surgiu essa história”, disse ela em sua casa, em Resende, no sul fluminense, ao Estado.
Um dia após a divulgação do documento do Itamaraty que menciona a suposta ameaça, a advogada disse estar “indignada”.
Além do sobrenome do ex-marido, Ana Cristina adota ideais semelhantes aos de Bolsonaro. “Sou contra o aborto, contra a cartilha que vinha sendo disponibilizada nas escolas infantis contendo material sexual e a favor da redução da maioridade penal”, afirmou.
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