Sentimento “anti-rosalbista” cresce nas redes sociais em Mossoró, diz analista

Um sentimento anti-rosalbista está se fortalecendo em Mossoró, a partir das redes sociais, motivados por sucessivas denúncias de escândalos atribuídos à ex-governadora e atual prefeita de Mossoró, Rosalba Ciarlini. Desta vez, a saraivada de críticas iniciou-se a partir de uma reportagem do jornal O Globo sobre a delação premiada de funcionários da empreiteira OAS, que confirmaram o pagamento em propinas e caixa dois de R$ 16 milhões quando ela era governadora, durante a construção da Arena das Dunas.
Na avaliação do jornalista e mestre em Ciências Sociais e Humanas da Universidade do Estado Rio Grande do Norte (Uern) Bruno Barreto, a impunidade associada à resposta dada pela mandatária de Mossoró – “vai dar nada” – a cada escândalo de corrupção vem minando o futuro político de Rosalba Ciarlini. Para Barreto, ela faz uma gestão cheia de contratempos e marcada por desgaste. “Em Mossoró o caso teve uma repercussão menor do que teria com outros nomes muito por causa de a oposição aqui ser totalmente desarticulada. No entanto, há um forte sentimento anti-rosalbista manifestado nas redes sociais”, atesta.
De acordo com Bruno Barreto, Rosalba e seu grupo político frequentemente tem conquistado vitórias no poder judiciário. Por isso, há em parte da sociedade mossoroense um sentimento de impunidade cada vez maior. “A cada denúncia contra a prefeita o comentário é sempre o mesmo: ‘vai dar em nada’. Há um fundo de razão nisto porque ela sempre escapa e quando é condenada é com penas brandas que sequer atingem a elegibilidade dela”, destaca.
Em análise, Barreto diz ainda que o sentimento anti-rosalbista é fruto de um processo histórico que não está descolado de um contexto nacional em que políticos tradicionais estão sendo rechaçados. Ele recorda que nas eleições 2018 a prefeita teve muitas dificuldades para impor vitórias dentro de Mossoró e relembra, também, que Fátima Bezerra mal fez campanha em Mossoró e ainda teve dificuldades com um racha interno do PT. Mesmo assim foi a mais votada nos dois turnos. “E olhe que Rosalba se empenhou pessoalmente na campanha de Carlos Eduardo Alves porque o filho dele, Kadu, era candidato a vice”, acrescenta.
Bruno Barreto tem estudado Rosalba Ciarlini e seus familiares da política há mais de uma década. Em 2017, ele lançou o livro “Os Rosados Divididos”, que tratou de como os jornais não contaram essa história, desde a cisão familiar na década de 1980, entre Carlos Augusto Rosado – marido da prefeita – e Ivan Rosado. A obra acabou virou tema de dissertação de mestrado em Ciências Sociais e Humanas na Uern.

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