Após reunião com advogados, Lula diz que não troca dignidade por liberdade.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, em carta, que não irá trocar sua dignidade por sua liberdade. O texto foi lido por seu advogado, Cristiano Zanin Martins. "Quero que saibam que não aceito barganhar meus direitos e minha liberdade", escreveu o presidente. 

A jornalistas, o defensor do petista disse que "o ex-presidente Lula não reconhece a legitimidade do processo [do tríplex]". Zanin esteve com Lula nesta manhã, na carceragem da Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba.

Lula está preso no local desde 7 de abril de 2018. Além de Zanin, estiveram com Lula nesta manhã a deputada federal e presidente do PT (Partido dos Trabalhadores), Gleisi Hoffmann, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), e outros cinco advogados que trabalham na defesa do ex-presidente.

O encontro serviu justamente para que todos conversassem com Lula sobre a possibilidade de ele deixar a prisão e cumprir o restante de sua pena por corrupção no caso do tríplex do Guarujá em regime semiaberto. Lula já tem direito a progredir de regime de prisão.

Na sexta-feira, o MPF-PR (Ministério Público Federal do Paraná) pediu à Justiça Federal de Curitiba que Lula passe para o regime semiaberto. Procuradores da Lava Jato, incluindo o coordenador da operação, Deltan Dallagnol, assinaram um ofício alegando que Lula cumpria os critérios para um "regime mais brando".

"Trata-se de direito do apenado de, uma vez preenchidos os requisitos objetivos e subjetivos, passar ao cumprimento da pena no regime mais benéfico", diz o ofício assinados pelos procuradores.

Lula, entretanto, já afirmou em entrevista que tem concedido de dentro da prisão que não pretende sair da prisão usando uma tornozeleira eletrônica.

A discussão sobre o regime de prisão do ex-presidente Lula acontece enquanto o STF (Supremo Tribunal Federal) avalia um recurso que pode anular dezenas de sentenças de Lava Jato. O Supremo também deve julgar em breve um pedido de suspeição do então juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça, no julgamento de Lula.

Lula sempre alegou ser inocente. Nega que tenha cometido qualquer crime pelo qual foi acusado.

Sérgio Castro - 7.nov.16/Estadão Conteúdo
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