Eleição no Afeganistão é marcada pela violência

Atual presidente Ashraf Ghani e chefe de governo Abdullah Abdullah são favoritos no pleito presidencial afegão. Na última década, nenhuma eleição no país terminou sem registrar dezenas de mortes e acusações de fraude.Por volta de um terço do eleitorado afegão é composto por mulheres
Explosões e ataques com foguetes deixaram pelo menos duas pessoas mortas e várias outras feridas no Afeganistão, neste sábado (28/09), horas após do início da votação para a escolha de um novo presidente para o país.
Um funcionário de um hospital na cidade de Kandahar, no sul, disse que 15 pessoas ficaram feridas na primeira explosão dentro de uma mesquita que estava sendo usada como seção eleitoral.
Uma segunda explosão numa seção eleitoral no distrito de Sorkh Rod deixou uma pessoa morta e outras três feridas. Segundo autoridades, um ataque de foguete matou um observador eleitoral na província de Kunduz.
Uma autoridade local disse que insurgentes dispararam vários morteiros na cidade de Kunduz, no norte do país, a fim de interromper a eleição. Houve vítimas civis, mas não se especificou o número.
Esses foram os primeiros incidentes significativos registados no país desde a abertura das urnas para as eleições presidenciais consideradas decisivas, em meio a um turbilhão de incertezas e à desistência de candidatos por falta de segurança, após uma campanha em que foram mortas centenas de pessoas.
As eleições deste sábado foram abertas em meio a um forte esquema de segurança devido a ameaças de insurgentes talibãs.
O Ministério do Interior do país devastado pela guerra enviou 72 mil membros das forças de segurança e colocou outros 30 mil em alerta para proteger as 5 mil seções eleitorais instaladas no Afeganistão.
Os talibãs alertaram que atacariam os envolvidos no processo eleitoral, usando todo e qualquer meio à sua disposição. O vice-ministro do Interior, general Khushal Sadat, pediu aos afegãos que exerçam seu direito democrático.
Cerca de 9,6 milhões de afegãos estão aptos a votar na eleição presidencial, sendo um terço desses eleitores composto por mulheres. No entanto, espera-se uma baixa participação eleitoral devido ao alerta de especialistas sobre fraudes generalizadas e temores de segurança.
Dezoito candidatos foram registrados para concorrer à presidência, sendo os dois favoritos o atual presidente Ashraf Ghani e seu chefe de governo Abdullah Abdullah.
O presidente do Afeganistão será eleito num sistema de dois turnos, caso nenhum candidato consiga 50% dos votos neste sábado. Todos os candidatos concordam que o seu maior desafio, caso vençam, será negociar um cessar-fogo com os talibãs, num conflito que já dura 18 anos.

Na última década, nenhuma eleição no Afeganistão terminou sem registrar dezenas de mortes e acusações de fraude. Segundo observadores, a eleição deste sábado não deverá ser diferente.
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