Mais potente e mais barata, arma artesanal é aliada do crime

Da espingarda “soca-tempero”, usada por caçadores e proprietários de áreas rurais, a produção de armas artesanais foi se diversificando no Rio Grande do Norte. Com maior poder de fogo e mais baratas, elas têm nos criminosos clientes fiéis. Na terceira matéria da série “Senhores das Armas”, veja como esse mercado clandestino cresceu no estado.
Foto: PM-RN/Reprodução
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Segundo especialistas em segurança pública, armas artesanais começaram a ser apreendidas no Rio Grande do Norte há cerca de oito anos. O problema se intensificou em 2016 e atualmente está em evidência no radar das forças de segurança. A estimativa é que este ano feche com 110 armas apreendidas. Mas esse número pode ainda aumentar.

Uma técnica antiga muito comum entre sertanejos, caçadores e proprietários de áreas rurais no interior do estado é a utilização da espingarda “soca-tempero”, que pode ajudar a entender o surgimento e a modernização da montagem das armas artesanais atuais.
Foto: PM-RN/Reprodução
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Para tentar compreender o limiar desse fenômeno, é preciso considerar a relação entre desejo e poder aquisitivo. Além da iminente utilização em ações criminosas, a prática também está aliada ao desejo de andar armado.
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Nem sempre essa vontade pode ser suprida devido ao alto preço de compra e manutenção de uma arma de fogo industrial, segundo o pesquisador Ivenio Hermes, da Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análise Criminal (Coine). O acesso à indústria bélica legalizada no Brasil pode variar de R$ 2,7 mil a R$ 11 mil.
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“Quando se fala em armamento, pensa-se que ele é fácil de ser adquirido, mas uma arma boa custa em torno de R$ 3 mil. Pessoas pobres, que desejam andar armadas, para se defender ou cometer crimes, vão se utilizar dessa prática”, explica.
No mercado clandestino, essas armas caseiras são vendidas por cerca de R$ 200. Valor 15 vezes menor comparado ao preço de uma pistola profissional.
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Para o Instituto Sou da Paz, que monitora o mercado legal e ilegal de armas em todo o país, o problema das armas artesanais não é identificado em todas as regiões do Brasil. Elas surgem em estados com uma área rural muito grande e em locais onde não há muita disponibilidade de arma de fogo industrial.
Foto: Redes Sociais/Reprodução
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“Geralmente as armas do crime vêm do mercado legal. Mas se não existem muitas armas disponíveis ou o valor é muito alto, começa a haver um incentivo para fabricação desses artefatos.” completa o porta-voz Bruno Langeani.
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