Está claro porque Moro saiu do Governo

Sergio Moro apresentou com ares de escândalo a acusação de que o Presidente Jair Bolsonaro estaria interferindo na Polícia Federal e se imiscuindo em inquéritos e solicitando informações sigilosas.
Como prova desta acusação, Sergio Moro afirmou que a exoneração de Maurício Valeixo seria o efeito dessa pretensão de interferência. Apresentou ainda uma mensagem de Whatsapp em que Bolsonaro mostra contrariedade com o fato da PF sob o comando de Valeixo estar perseguindo deputados bolsonaristas em um inquérito inconstitucional.
A fragilidade da justificativa deixa claro que ela não passa de desculpa esfarrapada. Comunicado por Rodrigo Maia de que seria aberto processo de impeachment contra Bolsonaro dentro de pouco tempo, Moro apressou-se para afastar-se do governo.
Ao sair atirando contra Bolsonaro – coisa que não combina com o perfil do ex-ministro – Moro quis diferenciar-se do presidente. Ao marcar posição contra Bolsonaro, apresentou-se como alternativa aos eleitorado conservador e anticorrupção e buscou “se limpar” por ter participado de um governo que poderá ser destituído pelo golpe de Maia, FHC, Doria, STF & Cia. Na verdade, foi isso que ele quis dizer ao falar em “preservar a biografia”.
A mosca azul que picou Henrique Mandetta também pegou Sergio Moro. Ao julgar-se mais hábil do que os maiores malandros deste país, Moro será mais um a ser usado e descartado adiante. Seu legado político terá sido contribuir com a tentativa de retorno ao poder de um dos grupos que a Operação Lava Jato pretendeu punir.
Se é um símbolo da luta anticorrupção e operou grandes serviços ao país como juiz federal, por outro lado Sergio Moro não é um político, não entende o funcionamento da política como instrumento de transformação da realidade. O domínio da técnica jurídica não faz de Sergio Moro um sujeito capaz de agir politicamente com habilidade.
“Apressado come cru”, já diz o velho ditado. O até então heróico ex-juiz moveu-se de forma infantil no tabuleiro de xadrez da política. Para não ser comido vai precisar de muita sorte. A tendência é que morra politicamente abraçado às joices e aos alvaros-dias que lhe orientam.
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